quarta-feira, 18 de março de 2009

18 de março de 1314


França, Vitrey, Condado de Haute-Saône, ano de 1244, nasce aquele que estaria fadado a se eternizar na memória das gerações que se seguiram após morte sua trágica, mesmo depois de decorridos muitos séculos, sua memória permanece viva dentre os homens de bem. Preso injustamente, submetido a 07 longos anos de intermináveis sessões de torturas, preso dentro do Castelo que outrora fora dele...


No ano de 1265, ainda muito jovem, foi recebido na Ordem dos Templários pelo Visitador Geral da França, Hubert de Pérraud. Às vezes me pergunto se ele já imaginava a tamanha importância que seu caráter e sua vida significariam alguns anos depois de sua Iniciação, e mais ainda, que ela se perpetuaria até os dias de hoje, centenas de anos daquela data.

Desde que foi iniciado, ele se destacou na Ordem, destacando-se dentre os demais companheiros, e em 1298, foi eleito Grão-Mestre da Ordem Dos Cavaleiros Templários. Ele combateu bravamente em diversos campos de batalha, até que a Ordem perdeu seus domínios no oriente, quando a Fortaleza de Acre ruiu, derrotados definitivamente pelos sarracenos.


De volta à Europa, a Ordem passou a despertar o interesse do Rei Felipe, IV, o Belo, que, mergulhado em dívidas, viu na Ordem a salvação para os cofres da França. Entretanto, os nobres Cavaleiros logo perceberam as reais intenções do Rei francês com sua tentativa de ingresso na Ordem, recusando-o.

O rei inclusive fez com que ele fosse o padrinho de sua filha, princesa da França. E chegou mesmo a se refugiar no Palácio do Templo quando estourou uma rebelião do povo Francês em razão do aumento excessivo dos impostos.

Porém, em 13 de outubro de 1307, todos Templários foram presos simultaneamente através de um plano secreto engendrado por Felipe e posto em prática por seu braço direito, Guilherme de Nogaret. Neste dia iniciou os horrível período de sofrimento ao qual Jacques Burguemundus DeMolay, o homem de que falávamos desde o início do texto, foi injustamente submetido. Dentre as inúmeras torturas, tinha um peso de oitenta quilos amarrado aos pés e por meio de uma corda e uma polia era erguido até o forro para forçar a confissão. Permaneceu assim sete anos. Sete anos acorrentado. Tais correntes só foram retiradas para ele ser dirigido à fogueira.

Há exatos 695 anos atrás, Jacques DeMolay e três dos altos dignatários da Ordem, foram levados próximos à Catedral Notre Dame para sentença final. A desgraça que se abateu sobre a Ordem, não fez cair a fé de seu Grão-Mestre, fortalecendo-o para o dia final. Eis que, repentinamente, Jacques começou a se mexer, fazendo soar o som das correntes que o prendiam há anos, pediu para se manifestar, e, quando todos certamente imaginaram que ele iria pedir clemência, fez-se ser ouvido, naquele dia o céu e a terra pararam para ouvi-lo, ele bradou aos quatro ventos que tudo que alegavam contra a sagrada Ordem e seus companheiros era mentira, tudo era falsidade. As palavras de DeMolay soaram como verdadeiras flechas em Felipe, que condenou Jacques DeMolay à fogueira imediatamente.

Vítima das maiores injustiças já cometidas, mais ou menos nesse horário, Jacques DeMolay e seu companheiro, que lhe foi fiel até a morte, decidindo ter por seu o mesmo destino que seu Grão-Mestre, foram queimados vivos numa ilha do Rio Sena. A História nos conta que, diferentemente das outras execuções, o povo não comemorou, mas se resignou, acompanhando de cabeça baixa, enquanto as chamas das fogueiras foram lentamente aumentando e consumindo o corpo de Guy D’Auvergnie e DeMolay. Meus Irmãos, os convido a parar um pouco e refletir... Refletir se fazemos jus à memória de nosso herói mártir, se realmente honramos a vida e os sofrimentos pelos quais Jacques DeMolay, não só quando cruzamos os portais do Capítulo, mas nossa vida toda. Conclamo-vos, Tios e Irmãos, a nunca deixar o exemplo de lealdade e honradez de DeMolay cair no esquecimento, de modo que sua morte não tenha sido em vão. JACQUES





DEMOLAY, NÓS REVERENCIAMOS SUA MEMÓRIA!




Pedro Rafael Nogueira Guimarães"

Mestre Conselheiro


"Non nobis, Domine, non nobis, sed nomini Tuo da gloriam"